‘Diga ao Rio Que Eu Fico’

 

“Diga ao Rio Que Eu Fico”.

Esse é o nome da campanha proposta, de maneira informal e irreverente, pelo meu colega de profissão Ancelmo Góis, colunista do jornal O Globo.

A iniciativa dele partiu de um comentário do paulista Tony Belloto, da banda Titãs, que disse “jamais pensar em trocar o Rio por Miami ou Lisboa”, por exemplo.

Depois veio o Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, um cara que conhece o mundo inteiro e fez questão de enviar o seu grito de apoio ao Rio.

Daí que – sendo O Globo e a JBFM tão cariocas como o Maracanã, o Cristo Redentor, o Pão de Açúcar e a Praia de Copacabana – eu já pedi licença ao Ancelmo para, também, abraçar a ideia e mandar o meu recado: “Diga ao Rio Que Eu Também Fico”.

É fato que as realidades não ajudam, as autoridades não ajudam, as atrocidades não ajudam. Mas é igualmente fato que essas realidades, autoridades e atrocidades passam… E o Rio continua… continua lindo, continua sendo… de janeiro, fevereiro, março… a dezembro.

O Rio precisa ser amado, independente de seus homens públicos, capazes de coisas impublicáveis quando estão no poder.

Pois vamos devolver o poder ao Rio, ao carioca, a quem é da Cidade, a quem fica na Cidade, a quem não foge da Cidade e a quem não abandona os seus.

O Rio precisa, de gente que gosta da Cidade, que gosta de ser carioca, que gosta do jeito de ser do carioca.

O Rio precisa de quem gosta de praia, samba, carnaval, futebol, cerveja, botequim, pluralidade, diversidade e espontaneidade.

O Rio precisa de gente que ama a Cidade… e não vira as costas para os seus problemas, seus defeitos e seus dramas.

O Rio precisa de gente que ama a Cidade, de maneira incondicional, como quem ama o filho ou a filha, o pai ou a mãe… e não vira as costas para os seus entes queridos.

O nome do jogo é: preservar privilégios, privilégios e privilégios

 

Ativistas reclamam de novas diretrizes ambientais, num país onde mais da metade das pessoas ainda não têm sequer esgoto sanitário.

Militantes reclamam da reforma da Previdência, num país onde a maioria absoluta dos trabalhadores pobres já se aposenta depois dos 65 anos, ganhando apenas 1 ou 2 salários mínimos.

Adversários reclamam das mudanças trabalhistas, num país onde não tem trabalho para mais de 13 milhões de brasileiros, além de outros tantos milhões de subempregados e muitos milhões de subutilizados.

Daí que as facções do contra, os partidos da sabotagem e os políticos do quanto-pior-melhor só existem porque o Brasil se tornou uma República, há mais 100 anos, mas nunca se livrou das manias, manhas e malandragens trazidas pela Corte de nobres e esnobes, há mais de 200 anos.

Eu falo de regalias baseadas em manter os interesses pessoais sempre acima dos interesses públicos ou republicanos. E é uma ilusão acreditar que o apego aos privilégios é coisa só da direita… é da direta, é do centro e é da esquerda. Principalmente da esquerda que só fala em defesa dos pobres, mas só ganha votos dos ricos.

Isso porque o nome do jogo é: preservar privilégios, privilégios e privilégios… às custas de desinformações, desinformações e desinformações… pois eles acreditam que somos todos otários, otários e otários.

Escolha o seu lado!

 

Não tem essa de mas… porém… todavia… contudo… no entanto…

O fato indiscutível é que a Lava Jato está sob forte ataque dos defensores da corrupção e da libertação sumária de políticos condenados por assalto aos cofres e às empresas públicas.

Por isso o alvo preferencial das invasões criminosas é o ex-juiz Sérgio Moro. E o alvo preferencial é o Moro porque o objetivo final é a morte da Lava Jato.

Repara que não tem vazamento de conversas do Lula, do Cabral, do Zé Dirceu, do Eduardo Cunha, do Fernandinho Beira-Mar ou do Marcola.

Daí que o Brasil que não apoia corruptos precisa se mobilizar, precisa sair às ruas e praças em defesa da Lava Jato, contra a corrupção e contra a impunidade.

Senão, vamos acabar vendo, em breve, manifestações de apoio a assassinos, traficantes, sequestradores, estupradores e terroristas; manifestações de apoio a todos os tipos de bandidos que já cometeram todos os crimes do Código Penal.

Enfim, a Lava Jato tem lado. A corrupção tem lado. E a impunidade tem lado. Nesse caso, ou você está do lado certo, ou você está do lado errado!

Escolha o seu lado!

Em noite de supercraque, em estádio de futebol, Sergio Moro é aplaudido pela galera

 

 

Torcedor do Fluminense, Nelson Rodrigues dizia, com toda razão, que “O Maracanã vaia até minuto de silêncio”.

E quis o destino que torcedores do Flamengo, pelo menos por uma noite, viessem desmentir o gênio tricolor.

Não foi no Maracanã, mas foi no estádio Mané Garrincha, ontem, em Brasília.

Dentro de um camarote, o juiz Sérgio Moro se viu recebendo uma das maiores homenagens e manifestações de carinho, aprovação e popularidade que se podem aferir no Brasil e no mundo.

Ele foi aplaudido e teve seu nome gritado nas arquibancadas lotadas, como se fosse um ídolo do futebol brasileiro ou mundial – como se fosse autor de um gol.

Era a torcida do Flamengo aplaudindo e gritando, mas, na verdade, era a torcida do Flamengo representando o sentimento de todas as torcidas, de todos os times, irmanados contra os bandidos dos cofres públicos.

Toda a saudação a favor do Moro ocorreu dias depois de o juiz ter sido alvo da euforia dos corruptos, por causa de um vazamento que só causou escândalo no sanatório geral dos inimigos da Lava Jato.

Daí que o que se viu foi o seguinte: a euforia dos corruptos não tem time, nem torcida, para enfrentar a euforia dos honestos.

Ainda assim, repito o que eu disse mais cedo: o país vai precisar de todos os brasileiros decentes para que a Lava Jato siga sempre campeã.

Lava Jato: O Brasil vai precisar de todos os homens decentes para impedir a vitória da desonestidade

 

A sucessão de erros e equívocos de alguns ministros do STF chega a causar espanto até em mesas de botequim. Não é por acaso que o brasileiro comum já sabe os nomes dos 11 juízes do Supremo – isso, quando muitas vezes ele nem sabe escalar os 11 jogadores do seu próprio time de futebol.

O problema é que alguns ministros do STF ficaram famosos pelos motivos errados: os erros gritam na cara dos leigos, os equívocos berram nos ouvidos dos ignorantes.

A novidade agora é que um ministro do STF, justamente o Tribunal Guardião da Constituição, acha que até “provas ilegais” são aceitáveis para julgar denúncias vazias.

No caso, as supostas provas são evidentemente ilegais porque foram obtidas de forma ilícita. Não sou eu que estou dizendo isso. É o artigo 154-A do Código Penal que se refere ao “crime de invasão de dispositivo informático”.

Além do mais, felizmente, alguns ministros também ficaram famosos pelos motivos certos:

Luís Roberto Barroso declarou não entender a “euforia” dos corruptos e acrescentou o seguinte…

Abre aspas:

“A corrupção existiu… Todo mundo sabe que, no caso da Lava Jato, as diretorias da Petrobras foram loteadas, entre partidos, com metas percentuais de desvios. Fato demonstrado, tem confissão, tem colaboração premiada, tem devolução de dinheiro público, tem balanço da Petrobras, tem acordo que a estatal teve que fazer nos EUA”.

Fecha aspas.

Ainda, segundo Barroso: “A única coisa que se sabe ao certo, até agora, é que as conversas foram obtidas mediante ação criminosa”.

Outro fato, segundo eu mesmo, é que a Lava Jato está sob forte ataque especulativo. Daí que o Brasil vai precisar de todos os homens decentes para impedir a vitória da desonestidade.

 

Até o governador petista já confessa apoio à Reforma da Previdência

 

Vinte e cinco governadores foram a Brasília manifestar apoio à reforma da Previdência. Em reunião no Congresso, os chefes dos estados só pediram algumas garantias e alguns ajustes na proposta do relator Samuel Moreira:

O governadores querem manter estados e municípios na reforma; manter as regras para aposentaria rural; e manter as regras do Benefício de Prestação Continuada, pago a idosos e a deficientes carentes. Eles também querem retirar do texto o tal regime de capitalização, que é uma espécie de poupança que o trabalhador faz para se aposentar no futuro. Aparentemente, tudo isso está no texto oficial como “bode na sala”, justamente para ser negociado e concedido depois.

Como eu disse, dos 27 governadores, compareceram 25. Apenas os do Maranhão e do Amazonas não participaram.

Até o governador do Piauí, Wellington Dias, que é do PT, foi a Brasília e se comprometeu a apoiar as mudanças na Previdência.
Se vai cumprir a promessa e se honrar o que disse… isso é outra história.

Importante mesmo é observar que a reforma é tão urgente que chegou ao ponto em que nem petistas conseguem negar. Isso explica por que o presidiário mais famoso do Brasil costumava confessar que, na campanha a gente diz uma coisa, e no governo a gente faz outra.

Nem de longe a conversa vazada entre Moro e Dallagnol caracteriza crime de lesa-pátria

 

Nem de longe a conversa vazada entre Sérgio Moro e Deltan Dallagnol caracteriza crime de lesa-pátria. Nada parecido com desvio de dinheiro das estatais ou assalto oficial aos cofres públicos.

Fora a versão adulterada que já circula nas redes sociais, a verdadeira conversa entre eles só tem o pecado da vaidade pública e o vacilo do descuido privado.

Qualquer estagiário de Direito sabe que juízes e procuradores conversam sobre processos. Ou seja, no limite da responsabilidade, juízes e procuradores podem e devem atuar em conjunto para socorrer os mocinhos e prender os bandidos.

Agora, querer tirar proveito de um episódio desse (frágil, isolado, inconsistente) para atacar toda a Lava Jato… aí é caso de má-fé pública, leviandade política, desonestidade ideológica e oportunismo generalizado.

Ainda que fosse um caso grave (o que não foi) um deslize do Moro ou do Dallagnol não é motivo para anular a maior operação de caça aos corruptos do país. Assim como um cartão vermelho, dado a dois jogadores de futebol, não é motivo para anular uma partida inteira.

Isso, sem contar o fato de a Lava Jato já ter provado ser uma operação suprapartidária, que vai do PT ao PSDB, passando pelo PP e o PMDB.

Enfim, o que não cabe é tentar transformar o atual ministro e o procurador em “garotos-propaganda” da falsa honestidade de políticos ladrões, devidamente condenados, em todas as instâncias.

Afinal, todo mundo sabe que, atrás das grades, bandido que preza sempre alega inocência.

 

Bolsonaro está entre fazer as coisas certas ou copiar as coisas erradas

 

Lá se vão seis meses… e o presidente Bolsonaro ainda não entendeu a emergência de ter uma gestão de comunicação estratégica e inteligente, capaz de preservá-lo de vexames e desgastes.

De fato, a indústria de multas tem que ser combatida, porque as ruas e as estradas brasileiras estão mesmo cheias de psicopatas ao volante.

Só que o presidente não foi eleito para mudar regras de trânsito ou atuar como guarda rodoviário. Por isso, ele vai ser atropelado pelo Congresso, que deverá reprovar as principais medidas.

O presidente também não foi eleito para criar moedas no Mercosul e salvar a pátria na Argentina. Por isso, ele acabou desmentido pelo ministro da Economia e pelo Banco Central.

Bolsonaro foi eleito para promover as reformas estruturais, por mais impopulares que sejam, a fim de gerar renda, emprego, crescimento e prosperidade no Brasil.

As mudanças são duras e difíceis, mas urgentes e necessárias. Se cair na esparrela de não enfrentá-las, o presidente vai ficar muito parecido com Lula e Dilma – Lula e Dilma formam a dupla política e apocalíptica que afundou o país na corrupção e na recessão, precipitando a vitória do bolsonarismo em 2018.

Daí que a missão do bolsonarismo em relação ao lulopetismo é muito simples: provar que os brasileiros fizeram uma boa escolha ou provar que os brasileiros fizeram outra grande bobagem.

Resumindo: o presidente está entre fazer as coisas certas ou copiar as coisas erradas.

Canecão: o show da incompetência política e da burrice ideológica

 

O Canecão era a casa de show mais popular do Brasil.

Ali cantaram desde o Rei Roberto Carlos até o então desconhecido Elymar Santos. Desde o refinado Tom Jobim até o escrachado Tim Maia. Cantaram desde astros internacionais até sambistas populares.

Não dava pra acusar o Canecão de ser um templo das elites.

Mesmo assim, partidos e políticos de esquerda acharam uma boa ideia fechar o Canecão e abrir no local um centro multicultural – uma ideia que, já faz quase uma década, nunca saiu do papel.

Desceram do palco grandes cantores e cantoras, e entraram em cena lixos, ratos, drogados e até assaltantes – daí que o cartão postal virou cartão bostal.

Talvez tenha faltado dinheiro. Talvez tenha faltado vontade de trabalhar – nesse caso, teria sido melhor se o Canecão continuasse sendo o Canecão.

Fato é que tantos anos de abandono, relaxamento e degradação permitem a qualquer carioca concluir que a casa caiu… caiu… em mãos erradas.

O curioso é que, em tantos anos de descaso, a classe artística jamais se mobilizou para protestar, nem contra o que fizeram com o Canecão, nem contra o que NÃO fizeram no lugar do Canecão.

Daí que a Assembleia Legislativa decidiu ontem destombar o Canecão.

Dona do terreno, a UFRJ fala agora em compartilhar o espaço com a iniciativa privada. Isso seria a mesma coisa que você alugar um apartamento em ruínas e, depois de reformar o imóvel, aceitar morar lá dentro com os proprietários.

Seja como for, que desta vez o Rio fique acima da incompetência política e da burrice ideológica.

 

‘Livrai-nos, ó Deus, de ver o Bolsonaro dobrar as metas da Dilma… Talquêi?’

Ouça, anote ou memorize esse número: -0,2 por cento. Ele representa o recuo do PIB do primeiro trimestre de 2019.

Pouca gente se dá conta, mas – além da decadência na produção, no comércio, em toda a atividade econômica – entre outras coisas, na vida prática, na vida real, esse número significa o seguinte: 13 milhões de desempregados; 13 milhões de brasileiros em desalento e em desespero.

Dentre eles…

Milhões de brasileiros que já não estão fazendo compras nos supermercados.

Milhões de brasileiros que já não estão pagando contas de luz, gás, água ou telefone.

Milhões de brasileiros que já cancelaram seus planos de saúde, mesmo aqueles mais modestos.

Milhões de brasileiros que já tiraram os filhos das escolas particulares, mesmo aquelas mais baratas.

Milhões de brasileiros que já se endividaram, depois se endividaram e, mais uma vez, se endividaram.

Milhões de brasileiros que já se resignaram diante dos acasos, descasos e poucos casos de políticos à direita, à esquerda e à revelia de tudo.

São indicadores da demência econômica construída com fervor e afinco pela demência política que predominou no país, por muito anos, à base de curandeirismo e charlatanismo.

Se repetir o polulismo que arrasou o Brasil, o governo Bolsonaro vai repetir o governo Dilma – ela que é hoje lembrada como a “presidenta-propaganda” do fracasso lulopetista.

Agora! Ouça, anote ou memorize essa prece: “Livrai-nos, ó Deus, de ver o Bolsonaro dobrar as metas da Dilma… Talquêi?”