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14 de abril de 2020

Família de Moraes Moreira não vai divulgar local de velório e enterro

RIO – A assessoria de imprensa do artista informou que a medida foi tomada como forma de evitar aglomerações e assim seguir as recomendações de isolamento social.

Moraes Moreira tinha 72 anos. Foto: Divulgação

RIO – A família de Moraes Moreira decidiu não divulgar a data, o local e nem o horário do velório e do enterro do corpo do músico. A assessoria de imprensa do artista informou que a medida foi tomada como forma de evitar aglomerações e assim seguir as recomendações de isolamento social das autoridades de saúde contra o avanço do novo coronavírus.

O cantor e compositor morreu no apartamento onde morava sozinho na Gávea, na Zona Sul do Rio, de um infarto agudo do miocárdio.

Moraes Moreira tinha 72 anos e começou a tocar sanfona com 12, em festas de São João e outros eventos do interior da Bahia. Ele criou e fez parte do grupo Novos Baianos, lançou mais de 60 discos ao longo da carreira e fez canções marcantes da nossa música, como “A menina dança”, “Preta, Pretinha” e Acabou Chorare”.

Moraes Moreira tinha mais de 20 músicas inéditas e mês passado escreveu um cordel inspirado na pandemia do coronavírus e publicou no Instagram. Veja o cordel abaixo:

 

Eu temo o coronavírus

E zelo por minha vida

Mas tenho medo de tiros

Também de bala perdida,

A nossa fé é a vacina

O professor que me ensina

É a minha própria lida

 

Assombra-me a pandemia

Que agora domina o mundo

Mas tenho uma garantia

Não sou nenhum vagabundo,

Porque todo cidadão

Merece mais atenção

O sentimento é profundo

 

Eu não queria essa praga

Que não é mais do Egito

Não quero que ela traga

O mal que sempre eu evito,

Os males não são eternos

Pois os recursos modernos

Estão aí, acredito

 

De quem será esse lucro

Ou mesmo essa teoria?

Detesto falar de estupro

Eu gosto é de poesia,

Mas creio na consciência

E digo não à violência

Toda noite e todo dia

 

Eu tenho medo do excesso

Que seja em qualquer sentido

Mas também do retrocesso

Que por aí escondido,

Às vezes é que notamos

Passar o que já passamos

Jamais será esquecido

 

Até aceito a Polícia

Mas quando muda de letra

E se transforma em milícia

Odeio essa mutreta,

Pra combater o que alarma

Só tenho mesmo uma arma

Que é a minha caneta

 

Com tanta coisa inda cismo…

Estão na ordem do dia

Eu digo não ao machismo

Também à misoginia,

Tem outros que eu não aceito

É o tal do preconceito

E as sombras da hipocrisia

 

As coisas já foram postas

Mas prevalecem os reles

Queremos sim ter respostas

Sobre as nossas Marielles,

Em meio a um mundo efêmero

Não é só questão de gênero

Nem de homens ou mulheres

 

O que vale é o ser humano

E sua dignidade

Vivemos num mundo insano

Queremos mais liberdade,

Pra que tudo isso mude

Certeza, ninguém se ilude

Não tem tempo, nem idade