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No Brasil, nós temos o Da Vinci da corrupção, o Michelangelo da corrupção, o Van Gogh da corrupção e o Picasso da corrupção

 

O pequeno Peru acabou de dar ao grande Brasil uma enorme lição de civilidade e virilidade democrática… E essa lição doeu!

Confesso que o suicídio do ex-presidente do Peru, Alan Garcia, apanhado pela nossa Lava Jato, me causou uma ponta de inveja – não de inveja por ele ter se matado, mas sim de inveja por ele, ao ter se matado, ter reconhecido que não tinha chance alguma diante das leis, das instituições e dos cidadãos do Peru.

Como é sabido por todo mundo, não existe um país na face da Terra que não tenha corrupção.

A diferença é como cada país lida com a corrupção e tolera a impunidade.

No Brasil, por exemplo, os corruptos zombam da impunidade, zombando das leis, das instituições e dos cidadãos. Mas é importante frisar que eles só fazem isso porque aqui as leis, as instituições e os cidadãos aceitam se colocar no papel de inúteis, irrelevantes e otários.

Muitas vezes as leis, as instituições e os cidadãos são até cúmplices dos corruptos porque, em nome de uma resignação inexplicável e de uma preguiça detestável, não mudam suas atitudes pacatas, passivas ou permissivas.

É graças a essa resignação e a essa preguiça que os corruptos brasileiros elevaram a impunidade ao status de obra de arte, obra prima, sem similar em lugar algum do planeta.

No Brasil, nós temos o Da Vinci da corrupção, o Michelangelo da corrupção, o Van Gogh da corrupção e, claro, o Picasso da corrupção.

Nós não temos nenhum Prêmio Nobel, por exemplo, mas certamente nós temos vários prêmios desse porte na corrupção e na impunidade.

Daí que não cabe o país se orgulhar da praga da corrupção, como uma arte que nos distingue. Cabe o país se revoltar contra a praga da impunidade, como uma arte que nos insulta.

Ou fazemos isso, ou vamos continuar todos cúmplices das nossas desgraças.