Ninguém vai perder dinheiro se apostar no Brasil

Depois do risco eleitoral, já superado, o risco político é o maior temor dos investidores, principalmente os estrangeiros.

Daí que o presidente Jair Bolsonaro vai precisar de muita habilidade para costurar uma nova relação com a nova composição do Congresso Nacional – e não necessariamente com “novos” deputados e senadores.

Diante da nova legislatura, que começa nesta sexta-feira, a missão do Bolsonaro será emplacar o seu ritmo de jogo, baseado na sua estratégia, inédita e duvidosa, de negociação direta com “bancadas temáticas”.

Ao mesmo tempo, ele terá que evitar jogar no colo da oposição as bancadas do Centrão e do MDB. Ou seja, evitar a praga da polarização, que põe o governo em xeque e deixa o país em estado de impasse e paralisia.

Não se trata de reinventar “a política como ela é”; se trata de reinventar “a negociação como ela nunca foi”, sem abusos, barganhas e maracutaias – exatamente como a sociedade exigiu por meio das urnas.

O pior dos mundos – e o pior para o Brasil – seria o presidente não formar uma base sólida e robusta, capaz de garantir a governabilidade, a sustentabilidade e, consequentemente, a estabilidade desejada.

Montadas as equipes, conhecidos os planos e definidas as prioridades, o desafio agora é garantir uma maioria parlamentar confiável e confortável – a fim de apaziguar o ambiente político ainda tensionado.

A partir de então, caberá à equipe econômica entrar em campo, mostrar a que veio, aprovar as reformas e, finalmente, sinalizar aos investidores que “ninguém, ninguém vai perder dinheiro se apostar no Brasil”.