‘Empate técnico’ no balanço dos dois primeiros meses

Lá se foram os dois primeiros meses do governo Bolsonaro, e o que temos é um “empate técnico”.

Os pontos negativos mostraram os filhos do presidente em episódios mal explicados, desnecessários e constrangedores.

Três ministros se destacaram de forma lamentável. Damares, Ernesto e Vélez entraram no time pela cota ideológica e partidária. Justamente por isso, atrapalharam mais do que ajudaram.

Na perfeita leitura do jornalista Nilson Mello Junior, eles continuam apegados a uma luta imaginária. Os três acreditam estar diante de um “moinho” onde se escondem o comunismo, o politicamente correto e outras baboseiras genéricas e genéticas, que a realidade já tratou de dar conta. Os ministros são reféns de fantasmas e assombrações, que tomam o tempo deles (e o nosso), quando deveriam simplesmente se ocupar do que é importante.

Em contrapartida, houve pontos positivos e, felizmente, eles são relevantes.

Já estão no Congresso a reforma da Previdência e o pacote de medidas que endurece leis ou regras nas áreas de justiça e segurança pública – dois temas que podem definir o sucesso ou o fracasso do novo governo.

De quebra, a fusão entre a Boeing e a Embraer ganhou velocidade de cruzeiro, sinalizando que as privatizações serão mesmo aceleradas.

Só no grito, Bolsonaro botou pra correr um terrorista internacional que curtia no Brasil a aposentadoria de sua carreira de crimes e assassinatos. Césare Battisti se viu obrigado a fugir, e acabou enjaulado na Bolívia, de onde foi extraditado para a Itália.

Há 10 dias, sem aviso, a cúpula da maior organização criminosa da América do Sul foi transferida de presídio e seus líderes jogados por dois meses em regime de solitária.

Os erros são grandes, mas os acertos também. Resta ao presidente, sair do empate técnico e virar o jogo.