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Crise nos EUA vem nos lembrar que quem tem equilíbrio não flerta com o abismo

O abismo que separa hoje democratas e republicanos nos Estados Unidos nunca foi tão largo, imenso ou profundo.

Os dois partidos sempre estiveram em lados opostos, é claro; mas jamais de forma tão feroz e extrema, capaz de provocar uma paralisia inédita na administração pública, por causa de um impasse radical no Orçamento.

Daí que nem o comunismo e nem o socialismo jamais sonharam conseguir tamanha desmoralização funcional da democracia e do capitalismo.

Mas é um erro acreditar que a colisão entre o presidente Donald Trump e a oposição ocorre por motivos fiscais, financeiros, monetários ou econômicos.

Lá como cá, a batida de frente ocorre, sobretudo, por questões políticas e ideológicas. As teimosias políticas e ideológicas são efeitos de uma avalanche de desentendimentos, ressentimentos e rancores.

O Brasil, por exemplo, tem muito a aprender com o colapso no funcionalismo americano. Aqui, as eleições dividiram o país em várias tribos, facções ou gangues. Sendo que no campo de batalha econômica nós temos: aqueles que botam fé nas intervenções oficiais, nas soluções do Estado e nos investimentos públicos e sociais… às custas de pesada carga tributária; e aqueles que acreditam piamente na iniciativa privada, no livre mercado e na austeridade pública e social… também às custas de altos impostos.

Tomara que ainda haja tempo de se tirar uma boa lição do mau exemplo que vem dos EUA: a ideia de que, em quase tudo na vida, é preciso separar a emoção da razão e a intolerância da sensatez;
isso porque a verdade está no meio, no centro e no equilíbrio.

Quem tem equilíbrio não flerta com o abismo.