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Canecão: o show da incompetência política e da burrice ideológica

 

O Canecão era a casa de show mais popular do Brasil.

Ali cantaram desde o Rei Roberto Carlos até o então desconhecido Elymar Santos. Desde o refinado Tom Jobim até o escrachado Tim Maia. Cantaram desde astros internacionais até sambistas populares.

Não dava pra acusar o Canecão de ser um templo das elites.

Mesmo assim, partidos e políticos de esquerda acharam uma boa ideia fechar o Canecão e abrir no local um centro multicultural – uma ideia que, já faz quase uma década, nunca saiu do papel.

Desceram do palco grandes cantores e cantoras, e entraram em cena lixos, ratos, drogados e até assaltantes – daí que o cartão postal virou cartão bostal.

Talvez tenha faltado dinheiro. Talvez tenha faltado vontade de trabalhar – nesse caso, teria sido melhor se o Canecão continuasse sendo o Canecão.

Fato é que tantos anos de abandono, relaxamento e degradação permitem a qualquer carioca concluir que a casa caiu… caiu… em mãos erradas.

O curioso é que, em tantos anos de descaso, a classe artística jamais se mobilizou para protestar, nem contra o que fizeram com o Canecão, nem contra o que NÃO fizeram no lugar do Canecão.

Daí que a Assembleia Legislativa decidiu ontem destombar o Canecão.

Dona do terreno, a UFRJ fala agora em compartilhar o espaço com a iniciativa privada. Isso seria a mesma coisa que você alugar um apartamento em ruínas e, depois de reformar o imóvel, aceitar morar lá dentro com os proprietários.

Seja como for, que desta vez o Rio fique acima da incompetência política e da burrice ideológica.