Câmara e Senado terão quase 300 ‘estreantes’, mas não serão quase 300 novidades

Como eu venho falando esta semana, o Congresso Nacional terá a partir de sexta-feira “novos” deputados e senadores. Mas a ideia de “novos” não passa de vício de linguagem, licença poética, retórica editorial e miragem parlamentar.

Na verdade, dos 513 membros da Câmara, apenas 243 podem ser considerados “estreantes” na atual legislatura – mas não na política. O ex-senador Aécio Neves, por exemplo, voltará como deputado federal e, sendo assim, por esse mandato, ele contará como “novo” – mesmo já tendo um currículo de denúncias, acusações e investigações capazes de deixar “orgulhosos” o Lula, o Maluf e o Sarney.

A exemplo de Aécio, a bancada dos “fake novos” inclui velhos vereadores, prefeitos, secretários, deputados estaduais, governadores e ministros. As mesmas “pedaladas eleitorais” dessa renovação de mentirinha se repetirá no Senado.

Nas duas casas, teremos quase 300 estreantes, mas não teremos quase 300 novidades. Novidade mesmo seria ver essa legislatura de 2019 a 2022 surpreender o Brasil, virando o jogo e a página contra o fisiologismo, o clientelismo, o coronelismo e o “jaguncismo engravatado” que mandam e desmandam há mais de 30 anos.

Só desse modo os “novos” deputados e senadores poderão ser chamados de “novos”… para o bem deles e para o bem do país.