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Bruto e durão, Bolsonaro já se curva às instituições democráticas

As bravatas do filho de Jair Bolsonaro contra o Supremo Tribunal Federal deu ao candidato do PSL uma boa oportunidade de mostrar como será sua postura e compostura diante das instituições democráticas.

Bolsonaro não só pediu desculpas em nome do filho, como também pediu desculpas em seu próprio nome – ou seja, fez em menos de 24 horas o que o PT não fez em muitos anos depois do mensalão, do petrolão e da Lava Jato.

O cara bruto e durão dos pronunciamentos, entrevistas e campanhas parece já ter entendido que nem ele nem ninguém está acima das instituições e do estado democrático de direito.

Bolsonaro deu corpo, alma e vida às palavras que eu usei aqui na quinta-feira passada – e que valem ser repetidas:

“A democracia não é só o império do voto. A democracia é também o império da lei. A Constituição vale mais do que votos, porque a legitimidade dos votos não se sobrepõe à legitimidade da Constituição. As convicções pessoais ou as vocações políticas nunca estarão acima da Constituição, da democracia, da livre imprensa e de outras liberdades essenciais. É graças a essas instituições que, seja quem for o próximo chefe de governo, ele vai descobrir no primeiro dia de trabalho que um presidente da República pode muito, mas não pode tudo; manda à beça, mas também é demandado demais”.

Daí que o pedido público de desculpas – que eu cobrei ontem, aqui, do PT – acabou vindo do Bolsonaro. Isso, claro, não faz de Bolsonaro um anjo, um santo ou um escoteiro, mas dá uma pequena amostra da atitude que se espera de um homem público, por pior que ele seja, e da atitude que se espera de um partido político, por melhor que ele pense que é.