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A verdade tem vida própria e tem voz alta

O presidente Jair Bolsonaro viajou para Suíça, onde fará sua estreia internacional no Fórum Econômico de Davôs. O plano é falar sobre o monumental desafio econômico do Brasil e a abertura comercial do país.

Mas o presidente não vai escapar de outros temas espinhosos, principalmente os que envolvem o senador Flávio Bolsonaro e o ex-assessor Fabrício Queiróz.

A pressão da mídia estrangeira será grande e vai exigir do presidente um bom jogo de cintura. Não há receita de bolo para lidar com jornalistas, muito menos fora de casa, mas há sempre bons caminhos a seguir, mesmo em campo minado.

O que o Bolsonaro deve ter em mente é que “não estará em campanha”, estará em missão política, econômica e diplomática. E, sendo assim, deve manter o foco e o discurso de um homem público comprometido com o interesse público, sem medo de enfrentar qualquer interesse colateral.

O presidente brasileiro não será o único a ser cobrado em Davos. Todos os chefes de governo ou de estado que estarão lá têm explicações a dar.

A exemplo deles, Bolsonaro só vai precisar impor a sua agenda oficial; no entanto, diferente deles, vai precisar não deixar pergunta sem resposta.

Campanha é uma coisa feia. Transição é uma coisa chata. Governar é uma coisa difícil. Difícil mesmo para quem tem apoio, confiança e popularidade em alta.

Todo esse capital (apoio, confiança e popularidade em alta) deve ser usado, prioritariamente, nos esforços para emplacar as promessas e medidas mais urgentes e necessárias. Mas também pode ser usado, excepcionalmente, para enfrentar crises que ponham em risco a imagem, a reputação e a expectativa em torno do governo.

Daí que as pressões em cima do senador Flávio Bolsonaro precisam ser respondidas rapidamente e esclarecidas objetivamente.

Isso tem que ser feito com responsabilidade, tranquilidade e transparência – de modo a preservar o capital político do presidente Bolsonaro, a bandeira nacional do ministro Sergio Moro e a missão econômica do ministro Paulo Guedes.

A História e a experiência ensinam que, quando a crise bate à sua porta, você não precisa deixá-la entrar. Mas você precisa preservar o diálogo, a educação e a determinação de encará-la e afastá-la.

Principalmente porque “a verdade tem vida própria e tem voz alta” – uma crise não morre no silêncio… ela se alimenta do silêncio.