Tamo Junto

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Brasil, 16. Direção e roteiro de Matheus Souza. Com Leandro Soares, Sophie Charlotte, Matheus Souza, Fernanda Souza, Fabio Porchat, Rafael Queiroga, Alice Wegman, Antonio Pedro Tabet.

Há uma série de comédias no mercado procurando aproveitar as férias e o momento natalino e fica difícil escolher. Algumas são horrendas e uma delas já ganhou o titulo de pior do ano (recusei-me a comentá-la). Este já é outro padrão, concorreu em Gramado e foi muito bem recebido e o mesmo já tinha acontecido com o filme anterior do diretor Matheus Souza no mesmo festival, Eu Não Faço a Menor Ideia do Que Eu Estou Fazendo com Minha Vida (12), e antes disso já era muito simpático e autoral seu filme de estreia, ainda quando estudante, Apenas o Fim (08), em que revelou Gregorio Duvivier, Erika Mader e Marcelo Adnet. Um filme muito simples sobre uma garota que resolveu deixar o namorado, mas antes disso resolve lhe dar uma hora para conversarem. Esperto e pessoal, o filme foi bem recebido e deu ao diretor/autor uma fama de jovem Woody Allen brasileiro, menos neurótico (ele nasceu em Brasília mas mora no Rio). Mas também lhe criou um problema já que todo mundo sempre gosta mais de um filme de estreia. Dali em diante é fácil falar mal e difícil para o criador se fixar num estilo ou visão artística ou simplesmente ser engraçado… Lembrem-se de que com Allen ainda hoje se queixam, ah eu gostava mais dos primeiros filmes dele, mais engraçados…

Pois é, essa a maldição do diretor que tem obra pessoal e se atreve ainda a querer rir de tudo. Ou fazer rir. Eu que gosto e admiro o gênero, compreendo sua dificuldade, continuo fiel a sua autoria. Ele resume o filme assim: rapaz termina um intenso relacionamento e se vê solteiro pela primeira vez em muito tempo. Livre, leve e solto, ele planeja cair na gandaia e recuperar os anos perdidos, mas logo descobre que o novo estado civil não é tão divertido quanto ele idealizava. Matheus faz o personagem do amigo mais discreto enquanto Leandro fica mais com o Jerry Lewis da dupla, embora o espectador comum irá se interessar mais pela mocinha da história, bem brasileira, se não carioca (mesmo nascida na Alemanha), e que parece ser a jovem atriz mais interessante do momento, no caso Sophie Charlotte.

Ao contrário de outras comédias atuais, nada de excessos de chanchada ou grosseria, uma aventura muito carioca, que eu achei divertida e coerente. Vi alguns críticos que gostam do autor tentando desculpá-lo fazendo uma lista das comédias que o influenciaram. Sim, ele e o mundo inteiro. Imitar outros é tão difícil quando Matheus continuar fiel a si mesmo e sempre engraçado. Rir, ou melhor dizendo, “fazer rir” é sempre a mais difícil das artes.