Quem Você Ouve – Cazuza

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Angenor de Miranda Araújo Neto, mais conhecido como Cazuza, nasceu em 4 de abril de 1958, no Rio de Janeiro. Foi cantor, compositor, poeta e letrista brasileiro. O apelido “Cazuza” surgiu antes mesmo do seu nascimento, e durante a infância nem sabia direito o seu nome de batismo, respondendo somente ao seu apelido. O seu verdadeiro nome foi uma insistência da sua avó paterna. Depois que descobriu que Cartola, um dos seus compositores prediletos, se chamava Agenor, passou a aceitar o seu nome.

Cazuza sempre teve muito interesse por música, principalmente pelos grandes nomes da música brasileira como, por exemplo, Cartola, Dolores Duran, Noel Rosa, Dalva de Oliveira, entre outros. Tinha uma grande admiração por Rita Lee, e chegou a compor para a artista a letra da música “Perto do Fogo”. Por volta de 1965 começou a escrever letras e poemas e mostrava a sua avó. Graças a profissão do seu pai, que trabalha como produtor fonográfico, Cazuza cresceu cercado de nomes como Caetano Veloso, Elis Regina, Gal Costa, Gilberto Gil, Novos Baianos, entre outros. Em uma viagem a Londres, conheceu a música de Janis Joplin, Led Zeppelin e Rolling Stones, e se tornou grande fã.

Foi aprovado no curso de Comunicação em 1976, mas abandonou três semanas depois e começou a freqüentar o Baixo Leblon, onde passou a ter uma vida boêmia. Então, João Araújo arrumou um emprego para ele na gravadora “Som Livre”, e trabalhava no departamento artístico, onde fazia a triagem de fitas de novos cantores, depois passou para a assessoria de imprensa. No final de 1979 fez um curso de fotografia na Califórnia, e lá descobriu a literatura da Geração Beat, conhecidos como os poetas malditos, que influenciaram muito na sua carreira. De volta ao Rio de Janeiro em 1980, entrou no grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone. O cantor Leo Jaime indicou Cazuza para ser vocalista de uma banda de garagem que se formava em Rio Comprido. Desses ensaios, formou-se a banda Barão Vermelho formado por Roberto Frejat, Dé Palmeira, Maurício Barros e Guto Goffi. Ao ouvir a banda, o produtor Ezequiel Neves convenceu o diretor artístico da gravadora “Som Livre” a gravar e apostar na banda.

A banda foi convidada para gravar a música que foi tema do filme “Bete Balanço”, a canção-título se tornou um dos maiores sucessos da banda, impulsionando o filme e o terceiro disco da banda, “Maior Abandonado”, lançado em outubro de 1984. Em 1985 se apresentaram na primeira edição do Rock In Rio, que coincidiu com a eleição do presidente Tancredo Neves e com o fim da Ditadura. Para comemorar, Cazuza cantou a canção “Pro Dia Nascer Feliz”. Logo depois, ele deixou a banda para seguir carreira solo, buscando liberdade para compor e expressar.

Em outubro de 1985 Cazuza foi internado com pneumonia, fez um teste de HIV, que deu resultado negativo. Logo depois, lançou o primeiro álbum da sua carreira solo, “Exagerado”. Em 1987 a AIDS se manifestou. Foi internado com pneumonia e um novo teste confirmou que era portador do vírus HIV. Foi ao Estados Unidos para um tratamento. Ao voltar para o Brasil, começou a gravar as canções do disco “Ideologia”. Em 1989 declarou publicamente ser soropositivo, e isso fez com que as pessoas procurassem saber da doença, criando consciência sobre e os efeitos dela. O álbum “Burguesia” foi gravado com o cantor já de cadeira de rodas e com a voz enfraquecida. Depois de quatro meses tentando um tratamento alternativo em São Paulo, voltou aos Estados Unidos e ficou internado até março de 1990. Ao voltar ao Rio de Janeiro, Cazuza faleceu aos 32 anos, no dia 7 de julho de 1990, por um choque séptico causado pela AIDS. Sobre a sua lápide aparece o título do seu último grande sucesso, “O Tempo Não Para”.

Em 10 anos de carreira, Cazuza deixou 126 canções gravadas, 78 músicas inéditas e 34 para outros cantores. Seus pais fundaram a Sociedade Viva Cazuza, que proporciona uma vida melhor para crianças soropositivas.