Gaudí: Barcelona, 1900

Uma inventividade capaz de transformar tradicionais referências arquitetônicas em vivos organismos naturais fez de Gaudi o símbolo responsável pela transformação de Barcelona na virada para o Século 20.

A mostra, aberta ao público de 16 de março a 30 de abril, reúne 46 maquetes (três delas em escala monumental) e 25 peças de design, como objetos e mobiliário criados por Antoni Gaudí (1852-1926). Completam a exposição mais 40 trabalhos de outros artistas e artesãos de Barcelona, produzidos na passagem do século 19 para o século 20 ambientarão a época e cidade que o fizeram um dos mais famosos arquitetos do mundo.

Os trabalhos que estão expostos vieram do Museu Nacional de Arte da Catalunha, Museu do Templo Expiatório da Sagrada Família e da Fundação Catalunya-La Pedrera, Gaudí.

A JBFM esteve no MAM para conversar com um dos curadores do acervo, o barcelonês Raimon Ramis que junto com o conterrâneo Pepe Serra Villalba escolheu maquetes e detalhes arquitetônicos da Sagrada Família bem como do Parque Güell, de maneira que público acompanhe os processos construtivos dos projetos do genial Gaudí.

Serviço: Exposição “Gaudí: Barcelona, 1900”
Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro
Exposição: 16 de março a 30 de abril de 2017
De terça a sexta, das 12h às 18h
Sábado, domingo e feriado, das 11h às 18h.
Ingresso: R$14,00
Estudantes maiores de 12 anos: R$7,00
Maiores de 60 anos: R$7,00
Amigos do MAM e crianças até 12 anos: entrada gratuita
Quartas-feiras a partir das 12h: entrada gratuita
Domingos ingresso família, para até 5 pessoas: R$14,00
Mantenedores do MAM: Bradesco Seguros, Petrobras, Rede D´Or São Luiz e Organização Techint, Ministério da Cultura (Lei de Incentivo à Cultura)
Endereço: Av. Infante Dom Henrique, 85
Parque do Flamengo – Rio de Janeiro – RJ 20021-140
Telefone: 21. 3883.5600
http://www.mamrio.org.br

Informações

Entrevista

Como identificar o estilo, a obra? O que Gaudí tem de mais marcante?

É muito difícil definir o que é Gaudí, por (ele) ter a obra muito distinta. Ele é um personagem com trabalhos estilisticamente muito distintos para cada momento, mas pode se dizer que a referência a elementos naturais e o método da feitura dos arcos podem caracterizar a maior parte essa obra.


Gaudí tinha uma forma de trabalho bem peculiar, você pode contar um pouco sobre essas técnicas?

Sim! Gaudí trabalha a partir de maquetes e não por plantas. Por isso suas obras são tão tridimensionais, volumétricas e muito tácteis. Se fossem menores poderíamos tocar com as mãos. Tudo isso reunido de muita técnica racionalista à inventividade e genialidade do arquiteto como por exemplo os arcos de pura elegância, criados a partir de cordas presas ao teto, tendo em suas pontas sacos com pedras feitos para calcular como o peso deformava esses arcos. Uma antecipação aos programas digitais que fazem isso nos dias de hoje.

Ele é um arquiteto que trabalhou por mais de 40 anos e mesmo assim realizou poucas obras. A realização da Sagrada Família pode ter sido responsável por isso?

Sim! É verdade que Gaudí, apesar de sua larga vida de trabalho, realizou poucas obras e surpreende que, com tão poucas, se tenha essa magnitude universal. Isso se dá por várias coisas. Uma é que ele era um arquiteto que construía de forma muito artesanal, projetava a obra e corrigia várias vezes. Depois é verdade que Gaudí passa a se dedicar mais à construção da Sagrada Família já que não podia deixar as indicações de como seria no futuro. Ele também era muito entregue ao trabalho e não gostava de que não o deixassem fazer do jeito dele.

O quê público vai encontrar no MAM?

Aqui o público vai encontrar, digamos, uma exposição que nos apresenta duas coisas que são contemporâneas: artistas que formavam todo o movimento da Barcelona da virada do século e a outra parte um artista que é Gaudí que não seria possível se não existisse o Modernismo. Porém, Gaudí não era modernista o que cria essa grande confrontação. No momento em que aparece Gaudí, em Barcelona, há um grande dinamismo e muita fertilidade artística. Em seguida ele se desprende do Modernismo para criar uma linguagem própria onde busca, na natureza, soluções estruturais para suas ideias e é isso que veremos nessa exposição.

Aqui no Brasil nos temos um dos grandes nomes da arquitetura mundial, Oscar Niemeyer também é conhecido por suas estruturas curvas que se inspiram na natureza. Dá para traçar um paralelo entre esses dois artistas?

Na verdade existe um paralelo em certas coisas como na utilização das formas geométricas já existentes e não inventadas, de acordo com a ordem da natureza. Acredito que Niemeyer e outros não tenho sofrido uma influência direta, mas se beneficiaram da forma como ele mudou a concepção da arquitetura em muitas coisas.

Que mensagem a obra de Gaudí deixa para o mundo de hoje?

Gaudí tem uma carga arquitetônica importante, essa é a parte técnica. Também tem uma carga simbólica de igual importância que vamos descobrindo aos poucos. Para Gaudí, os edifícios não eram meros espaços contenedores de coisas, eles têm seu caráter, sua função, e têm que ser coerentes a elas, têm que falar de alguma maneira, o que é feito pelo simbolismo de suas formas. Ele deixa para as futuras gerações que as construções são algo mais que meros containers. Da mesma forma quando Gaudí pensou na Sagrada Família, imaginando que teria que construir um templo em que as pessoas encontrasse Deus em um ambiente natural, onde pudessem se sentir bem e em um espaço que facilitasse isso.

Galeria de Fotos - Crédito: Luiza Reis